2 de junho de 2010

Gravata borboleta

Estamos vivendo a era da racionalização: homens independentes, poderosos e auto-confiantes que depositam todo seu destino e felicidade na atitude proposital do querer e fazer. Não é preciso mais ir a igreja para encontrar seu Deus, não é preciso mais o conhecimento diante de tanta informação, não é preciso mais valorizar os pais quando os filhos já estão à frente na tecnologia. O que podemos dizer sobre a desvalorização dos valores? Deveríamos talvez referir aos antigos valores simplesmente como "tradições" e encaixar nesse significado o que hoje é visto como valor: dinheiro, trabalho, carreira, gigabytes, celulares com câmeras de alta resolução, tevês com imagem 3D. O que há de tão bom em ser racional, individualista, uma pessoa exemplar no caminho do sucesso? Nossa sociedade é tão efêmera que a pior burrice é acreditar que essa felicidade sobrevive tanto tempo. Felizes os homens que abrem a porta do carro para a mulher entrar, as mulheres que aguardam ansiosas seus maridos chegarem, os filhos que respeitam e ouvem o que os pais dizem, as famílias que se encontram numa mesa de jantar.

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