Carrego comigo
o infinito prazer
de estar sempre vazio
de estar sempre incompleto
e à moda da dúvida
o desfile do medo
a ausência da fala
o segredo sagrado.
Carrego comigo
a presença da saudade
a falta da memória
a infância tão alegre
o cansaço do dia-a-dia
entre uma ventura
e um desassossego
o sorriso da cumplicidade.
Carrego comigo
os lápis desapontados
as moedas no bolso furado
o violão desafinado
os cabelos enrolados
os desenhos rabiscados
a bicicleta encostada
num pôr-do-sol distraído.
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