30 de julho de 2010

30 centavos

Ao tirar as coisas do meu bolso, caiu uma moeda de um real. E em fração de segundos me veio a lembrança do momento em que dei o trocado pro moço que guardava os carros perto do shopping. Me lembrei do momento em que escolhi as menores moedas para dar a ele por não ter guardado o carro e mesmo assim ter ido ali pedir dinheiro. E agora eu penso: quão mesquinho eu fui ao escolher as menores moedas para dar a um homem que estava trabalhando até aquela hora na rua. Escolhi dar a ele duas moedas, provavelmente uma de 25 e uma de 5, foram 30 centavos por guardar o carro! Eu posso estar aumentando, dramatizando demais os fatos, mas o que aconteceu foi que o meu egoísmo em julgar que um homem não deveria receber todas as moedas do meu bolso por possivelmente não ter guardado como devia o carro. E mais uma vez eu penso: cabe a mim julgar o bom ou mau trabalho do homem que estava ali até aquela hora esperando os carros sairem para receber seu trocado? Não. Definitivamente, não. Ele poderia estar juntando o dinheiro pra sua cachaça, seu pó ou ser essa a sua forma malandra de ganhar o dinheiro... mas podia também ser pai, podia ter um filho inválido ou estar juntando o dinheiro da sua marmita do próximo dia. E que motivo teve ele para estar ali até aquela hora?
Não estou escrevendo para elevar minha sujeira, meu egoísmo, meu pecado... Estou escrevendo para dizer que hoje fiquei triste ao pensar que escolhi dar 30 centavos ao invés de 1,30 ao homem que provavelmente estava guardando meu carro simplesmente por julgar que ele não era digno de receber todas as moedas do meu bolso por seu trabalho. Não escrevo isso para que compadeça com a minha dor ou duvide de que ela exista, mas sim para que não cometa o mesmo erro que posso ter cometido.

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